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FOTO: Reprodução da pintura de Mathias Grunewald |
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A tela “Ressurreição”, pintada em 1515 pelo
alemão Mathias Grunewald, (1470-1528), precursor do expressionismo e um dos
maiores pintores germânicos do gótico tardio, revela o momento de ascensão do
Nazareno, após sua morte |
O significado
místico da Páscoa
Além da interpretação cristã da data,
a morte de Jesus contém diferentes simbolismos
11 de abril de 2017
| 03:00
A Páscoa se aproxima,
mas o que muitas pessoas desconhecem é que ela tem um sentido místico que vai
além do conceito católico da ressurreição de Cristo e do Pessach do judaísmo,
que comemora a libertação do povo de Israel do Egito. Para a teosofista e escritora
russa Helena Blavatsky, a Páscoa é a estação espiritual da purificação e da
libertação.
A historiadora, pesquisadora e terapeuta
holística, Helena Gerenstadt, ensina que o caminho crístico da iniciação foi
representado no curso de vida do Cristo Jesus. “Ele é delineado durante a
Páscoa, único dia santo determinado pelas estrelas. Ela sempre cai no primeiro
domingo depois da primeira lua cheia da primavera (no Hemisfério Norte), após o
equinócio. A tradição esotérica revela que somente os iniciados mais elevados
eram capazes de participar dos mistérios e das energias que ocorrem no equinócio.
Para a maioria das pessoas, incluindo os aprendizes dos mistérios e os
discípulos, as energias celestiais do equinócio eram festejadas por “reflexo”
no dia da lua cheia. Vivemos novos tempos em que essas energias estão
disponíveis para quem quiser recebê-las”.
Segundo ela, a Páscoa é a época ideal para se
entrar em contato com energias que transfiguram a vida. “É um período
supervisionado pelo arcanjo Rapael, guardião do Santo Graal. Nessa época do
ano, sua missão é ajudar a aguçar nossos sentidos para que a alma possa
realmente ver e conhecer o que ainda é preciso ser feito. A Páscoa é uma
celebração que pode nos ajudar em nossa espiral sempre ascendente. É um tempo
de grande celebração angélica, quando podemos nos ligar mais plenamente com os
mensageiros angélicos para ressuscitar nossa vida. Nessa época, há um chamado
para que os mestres encarnados despertem para suas tarefas e seus propósitos. É
um tempo em que a energia da música e das flores pode ser descoberta pelas
pessoas que são sensíveis a ela. É uma época para grande celebração, e não de
lamentações”, finaliza Helena.
Diversidade. A ressurreição de Jesus é celebrada de
diferentes modos ao redor do mundo. Na Bélgica e na França, os sinos não são
tocados entre a Sexta-Feira da Paixão e o Domingo de Páscoa, por causa de uma
lenda que diz que eles (os sinos) voam até Roma e quando voltam deixam cair
ovos para todos. As crianças belgas produzem ninhos de palha, na esperança de
que o coelho deixe muitos ovos.
Na Bulgária, após a missa da Quinta-Feira Santa,
pintam-se ovos cozidos e fazem-se pães pascais, os “kolache” ou “kozunak”. Os
pães e os ovos são abençoados. Cada um da família pega um ovo e bate nos ovos
dos outros; aquele que ficar com o ovo inteiro terá sorte durante o ano.
Os hindus fazem o festival Holi para relembrar o
surgimento do deus Krishna. Nessa época, a população dança, toca flautas e faz
comidas especiais para receber os amigos. É comum que o dono da casa marque a
testa dos convidados com um pó colorido.
Jesus Cristo. Oxalá ressurgiu em espírito para consolar
seus irmãos e lhes mostrar que a vida é eterna, apenas o que mudam são as
roupagens que vestimos e onde as vestimos.
A semana
Quarta-feira – Dia da traição e da autodestruição
de Judas. As meditações giram em torno da
morte dos desejos inferiores e da purificação do caminho para alcançar maior
luz.
Quinta-feira – Última ceia. É tempo de meditar sobre a
transmutação da matéria para expressá-la de forma mais elevada.
Sexta feira – Crucificação. Aqui se aprende a carregar
a cruz, pois cada ser é responsável por sua vida. Renuncia-se ao inferior em
favor do superior. Os exercícios recomendados são o silêncio, o jejum e a
oração.
Sábado. Os véus entre a vida e a morte, entre o plano físico e o
espiritual, foram rompidos para sempre.
Domingo. Das trevas para a luz. É tempo de comunhão plena e
verdadeira com a hierarquia angélica.
Aparição aconteceu por meio do perispírito
Mesmo sendo uma doutrina cristã, o espiritismo
entende de forma diferente alguns dos ensinamentos das diversas igrejas.
“Na questão da ressurreição, para nós, espíritas, Jesus apareceu à Maria de
Magdala e aos discípulos, com seu corpo espiritual, que chamamos de
‘perispírito’. Entendemos que não houve uma ressurreição corporal, física.
Jesus de Nazaré não precisou derrogar as leis naturais de nosso mundo para
firmar seu conceito de missionário. Sua doutrina de amor e perdão é muito maior
que qualquer milagre, até mesmo a ressurreição”, afirma a Amilcar Del Chiaro
Filho, (1935- 2006), um militante espírita.
Segundo ele, “a Páscoa judaica pode ser interpretada como a libertação da
ignorância, das mazelas humanas, para o conhecimento, para o comportamento
ético-moral. A travessia do mar Vermelho representa as dificuldades para a
transformação. A Páscoa cristã representa a vitória da vida sobre a morte, do
sacrifício pela verdade e pelo amor”.
Ressurreição é a vitória sobre a morte do corpo físico
A doutrina espírita não comemora a Páscoa, “ainda
que acate os preceitos do evangelho de Jesus, o guia e modelo que Deus nos
concedeu: ‘Jesus representa o tipo da perfeição moral que a humanidade pode
aspirar na Terra’. Contudo, é importante destacar que o espiritismo respeita a
Páscoa comemorada pelos judeus e pelos cristãos e compartilha o valor do
simbolismo representado, ainda que apresente outras interpretações”, comenta
Marta Antunes de Moura, vice-presidente da Federação Espírita Brasileira (FEB).
Segundo ela, a liberdade conquistada pelo povo judeu, ou a de qualquer outro
povo no planeta, merece ser lembrada e celebrada. “A ressurreição do Cristo
representa a vitória sobre a morte do corpo físico e anuncia a imortalidade e a
sobrevivência do espírito em outra dimensão da vida”, diz a dirigente.
Os discípulos do Senhor, diz ela, conheciam a importância da certeza na
sobrevivência para o triunfo da vida moral. “Eles mesmos se viram radicalmente
transformados, após a ressurreição do amigo celeste, ao reconhecerem que o amor
e a justiça regem o ser além do túmulo. Por isso mesmo, atraíam companheiros
novos, transmitindo-lhes a convicção de que o Mestre prosseguia vivo e operoso,
para lá do sepulcro. Procuramos comemorar a Páscoa todos os dias por meio do
esforço de vivenciar a mensagem de Jesus”, finaliza.
Os seguidores de Allan Kardec defendem o conceito de que a vida só pode ser
definida pelo amor.
Fonte: https://www.otempo.com.br/interessa/o-significado-mistico-da-pascoa-1.1459083
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